Nas músicas, nos livros, poemas e roteiros, ela procurava consolo. Nos amigos, jornais, esquinas e passado, ela procurava um precedente.
Nas ações, palavras, olhares e no tempo, ela tinha esperança. Mas o muro, enorme, invisível e intangível se erguia derrubando todo resto.
Mesmo que não pudesse ser visto, nem de perto, por todo o resto, ele dominava. Tinha sido construído, com coisas pesadas, histórias que você não quer saber.
E cada história, momento, no dito e principalmente no não dito, ela se rendia ao muro.
Um dia um moço, meio torto, desconhecido e desaparecido, lhe disse o que ela queria ouvir. Por um segundo seu coração, não agüentou, palpitou.
Ela esperou. E mais uma vez, o não dito se fez presente, e o muro, ah, esse riu descrente. Ele avisou.
Uma brecha, um segundo, um vacilo, era o que ela precisava. Mas a coragem, que devia estar no sangue, essa lhe faltou.
A cada ação, palavra, olhar, tempo, era pior. A verdade, aparecia sorrindo e adubava o muro que crescia feito broto de flor.
O pensamento, o sentimento, era forte. Como onda do mar, nuvem de chuva, ou cheiro de morte. Não era suficiente.
Vou te dizer uma coisa, o muro não é de concreto, não é de aço. Mas atualmente, acho que não pode ser derrubado.
Um comentário:
Gostei.
Mas tem cheiro de indireta ai, heim...
hehehe
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