Eu nasci para ir embora. Fora do lugar, desajustado, embora
não pareça. Uma pecinha que não é de lugar nenhum, mas que sempre se encaixa razoavelmente
em vários quebra-cabeças, mas que não pertence.
Cada novo lugar que descobria, seja no atlas ou pela janela
do trem, parecia o lugar certo. Não que eu realmente embarcasse ou desembarcasse.
Eu apenas pensava.
Um pouco sobre possibilidades, um tanto sobre vantagens.
Nunca parando realmente para planejar um futuro sólido, eu
fui levando. Mudando de rumo, quando parecia conveniente. Nada era tão forte
que poderia ser substituído, por um desses futuros móveis. E eu fui em frente.
Plantado minhas sementes por ai, continuei a me encaixar em
quebra-cabeças tão confusos quanto eu mesmo.
Não sempre. Só por pouco tempo.
Nada parecia tão forte para me fazer ir, mas tão pouco
existia algum tipo de laço, de elo, que me prendesse por aqui. Não até então.
Adiando as viagens, comecei a imaginar, que talvez, só
talvez, seria melhor nunca sair, deixar o refugio viver intacto, no lugar onde
ele jamais desmoronaria. Mas, não tardou
o dia, que a profecia criada e acreditada, somente por mim, veio por si.
Eu nasci para ir embora. E fui. Mas só você teria me feito
ficar.
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