Um conto gaxtão.
Numa escola qualquer, em um
bairrozinho qualquer, um professor passou um filme pra geral. O filme era Drácula.
De Bram Stoker. Mas na verdade todos são de Bram Stoker. O Coppola só botou
assim pra ficar mais bonitinho. Enfim. Era só pra matar o tempo da aula, já que
o professor ficou na ousadia até altas da
madruga e não teve tempo de preparar. Acontece. Umas menininhas do fundo
falaram que era muito assustador, esse filme. Essas coisas sobrenaturais. Você
nunca sabe. Mas o gaxtão da sala, tal de Teobaldo, disse que discordava. Não
tem nada mais assustador do que a realidade, meu amigo. Foi o que ele disse. Como assim? Perguntou uma outra não entendendo.
Isso mesmo. Disse ele. Os outros aluninhos peraltas da sala começaram a rir,
achando que ia vir mais uma ideia desconexa, típica dele. “Te da ideia que tudo
isso , tudo isso de ficção, vampiro, zumbi, fantasma e o caralho a quatro, é
pra ocupar nossa cabeça. Pra gente esquecer, das coisas que dão medo de
verdade.” Ah, começou a chafurdação. Foi o que pensou a sala inteira, incrivelmente
ao mesmo tempo. Mas o professor fez “Xiiii”. E todos pararam de falar. “po’continuar menino. Diz ae". “Então, nesses dias ai, fui
fazer um corre e uns magrinho me mandaram essa pala. Que tudo é a mesma coisa.
chá, igreja, chocolate, tv. Tudo pra fazer você ficar melhor por um tempo ou
outro. Ai eu viajei nessa parada, ta ligado?” Metade da sala não entendeu nada.
A outra metade tava quase toda no
facebook. Mas umas cinco cabeças pensaram: boto fé. “Então, já que você precisa
dessas coisas, tu não é feliz?” Perguntou um outro, que achou que tinha
entendido. “O véi, não disse isso não. – Vish. Disseram em coro. – Disse que a
gente tem medo. E eu tenho, como todo mundo. Mas tem gente que quer fazer um
circo, que quer dizer que não tem. Que tudo que acontece foi planejado, ta no
caminho certo. Ou tem uma planilha, ou entrega na mão de Deus. Ai é crowd.”
Medo de que? Perguntou a bonitinha do
lado dele. “Do obvio, meu anjo. Na morte. O mais louco da vida, é isso. A gente faz um monte de paradas, tenta achar
sentido em tudo, quando no final, é isso ae. Uma grande viajem só de ida, sem
sentido algum. O objetivo não importa muito. O destino é o caminho.” Oh gaxtão,
suspensão pra você! Disse o professor, sério. “Mas que que eu fiz dessa vez?” O
professor riu. "O objetivo aqui é passar no vestibular, quebrar castelinhos de
areia é só na faculdade."
Nenhum comentário:
Postar um comentário