Já no começo, quebrei a minha própria regra, e não postei na quarta. Mas antes tarde do nunca.
Pelo menos é o que dizem.
Contos Familiares II
O rico
Quando pequeno, ele sempre fora o estranho da família. Não jogava bola tão bem quanto os irmãos, e nem tinha tantas namoradas na adolescência. Na juventude, para desgosto de todos, preferiu o rock, ao pagode. E preferiu também os Rolling Stones do que os Beatles. Caso perdido.
- Eu acho que carne de boi e melhor do que de frango.
- Eu também.
- Eu também. Eu também.
Essa era a rotina de João. Nunca estava errado. Pelo menos não para aqueles que dependiam se sua esmola, ou de um pingo de sua atenção, a fim de se sentirem melhores.
João não percebeu isso logo de cara. É mais fácil se incomodar com estar sempre errado, do que com estar sempre certo. Então no primeiro momento, ele se sentiu bem. Achou que era um cara sensato, prudente e sábio.
Mas João era esperto, embora as vezes deslumbrado, e não tardou a perceber, que não era tão amado. Pelo menos não tão amado quanto endinheirado. Ao perceber murchou. Por um tempo não voltou a casa dos parentes, até ter a ideia. A Ideia o divertiu.
- Eu acho Pizza ruim!
- Eu também!
- Eu também!..
- Eu acho que quem deve governar o Brasil é o Maluf!
-Eu também!
- Eu também!!!
- Eu gosto de cerveja preta, e quente.
- Eu também!
-Eu também!
- Eu também!
- Eu acho que cada um deve viver com o que tem, e se contentar com isso.
...
Ninguém concordou. Mas essa era uma ideia que João realmente tinha. Falou sem pensar, e gostou do que disse. Parou de mandar as esmolas. E parou também de estar sempre certo. Com o tempo, pararam também os convites, para aniversário e para ter afilhados.
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