(postados no facebook dia: 14 de junho de 2013)
O.k. Eu disse que dessa vez não
ia fazer um texto sobre os protestos.
Até porque li muitos textos e falas que me representam. Como o do Sakamoto, o depoimento do Freixo e muitos outros.
Até porque li muitos textos e falas que me representam. Como o do Sakamoto, o depoimento do Freixo e muitos outros.
Mas eu não quero falar de
manifestação, não só disso. Enquanto a imprensa chama os manifestantes de
baderneiros e a policia se nega a assumir uma postura um pouco mais amistosa, o
discurso de “como deve ser uma manifestação” se alastra na internet.
O buraco é mais em baixo, minha
gente. Acho que é uma parcela mínima que está lá para “vandalizar”, e quando
falamos em um grupo de mais de 10 mil pessoas, acho pouco provável que não
tivessem um e outro... Mas a questão também
não é essa.
Você já andou a pé pela rua? Ou
de ônibus? Ou de metrô? É triste. É triste não só porque está apertado, porque
os horários são ruins e o transito é enorme. É triste porque as pessoas estão
atoladas dentro de um sistema de “funcionalidade” que impede que se enxergue o
outro.
Eu tenho medo de atravessar a
rua. Porque mesmo quando o sinal está fechado, e eu estou na faixa, corre o
risco de um carro vir disparado e me atropelar. Porque ninguém está olhando
para as pessoas na calçada. Estão olhando só para as luzes que ficam mudando do
verde para o vermelho, e para o cruzamento de onde vêm os outros carros.
Motivo? Dinheiro. Se você for pego “furando” sinal, multa. Se você bater no
carro de alguém: conserto. Sua cabeça está treinada para pensar assim. Parece
obvio, mas não é tanto.
Eu já vi situações onde o
motorista do ônibus fecha a porta com um passageiro subindo ou descendo. Já vi
um motorista de ônibus não parar em um ponto, quando um senhor de idade estava tentando pegar o
ônibus em questão. E sabe por que ele fez isso? Horário. Dinheiro. Se ele não
chegar no horário, e se ficar repetindo isso, perde o emprego. É um emprego
ruim, um emprego estressante e com alto índice de suicídio, mas é um emprego.
Os protestos deveriam ser
pacíficos. A Sociedade devia ser pacifica. É claro que temos pessoas violentas,
psicopatas e tantas outras coisas. Mas temos também desigualdade social,
opressão, preconceito e é claro, essa rotina extremamente sufocante que, vez ou
outra, faz um sujeito normal surtar e ter seu dia de fúria.

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